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    Crônica

    RESPONSABILIDADE PESSOAL

     

    De vez em quando surge e se alastra no mundo corporativo novos termos talhados para mascarar o óbvio, naquele estilo de fazer difícil o que é fácil. Desta maneira os usuários dos termos obtém o poder de esclarecer e vender suas consultorias no mercado ávido de novidades.

    Alguém se lembra da reengenharia? Fez muito sucesso, mas hoje ninguém dá a mínima. É difícil entender porque algumas expressões “pegam” e outras não. Por exemplo, dowsizing (reduzir) e rightsizing (adequar) não pegaram.

    A palavra social só perde para ecológico em termos de prestígio. Justiça social, tarifa social, igualdade social, turismo ecológico, desenvolvimento sustentável e preservação ambiental estão na boca de 11 entre 10 descolados e modernos.

    Desde sempre e cada vez mais meu foco é o indivíduo e não o coletivo. E a razão é sensata e lógica. Indivíduos melhores fazem coletivos melhores. O contrário não chega a ser nem utopia, mas fantasia pueril. Se o indivíduo contribui com sua pequena parcela, intransferível, e faz o miúdo, não há outra possibilidade de resultado que não seja a melhora coletiva. Mais óbvio que isso, só desenhando.

    Um termo que ainda está na moda é responsabilidade social.

    Com a divulgação de “boas ações” destinadas a cultuar a boa imagem diante da opinião pública – e com isso conseguir o que 100% das empresas querem: vender mais -, a responsabilidade social passou a ser bem intangível, porém, capitalizável.

    É a nova modalidade de relacionamento consumidor-empresa que cai na inescapável hipocrisia. O exemplo gritante é o da empresa que causa enorme dano à saúde, a fábrica de cigarros Souza Cruz, e ostenta em sua caixa de embalagem o selo “empresa socialmente responsável”. É incrível, mas é verdade. Se procurarmos como se dá um paradoxo dessa magnitude, talvez encontremos em seu departamento de marketing uma “ação social”, como doação de cobertores para creches (quiçá uma criança esteja lá porque a mãe é viúva de um homem que morreu de enfisema causado pelo cigarro). Esta é apenas uma hipótese, mas o selo na caixa que contém os pacotes de cigarro é real.

    A responsabilidade social é fácil de ser cobrada e não faltam militantes dispostos a lutar pela “causa”. Temendo ser expostas à opinião pública e sofrer danos na imagem institucional, empresas ficam reféns dos politicamente corretos e acabam cedendo.

    Certa vez, fui convidado para uma reunião sobre um livro cujo tema seria o meio-ambiente. A editora, muito simpática, tinha todas as palavras politicamente corretas no vocabulário. Impressionante como ela discorria com propriedade sobre ecologia. Depois de um tempinho de trololó, a bela me convidou para tomar um cafezinho na varanda. Fomos para lá, a conversa continuou animada, tomamos o café... e então ela me perguntou se me incomodaria se fumasse. Pelo inusitado da situação, criou-se um constrangimento inequívoco. O livro acabou não acontecendo e entendi a razão. Era embaraçosa minha presença, como se eu fosse a prova viva da desconexão entre a teoria e a prática.

    A responsabilidade pessoal é dever do cidadão. Um papel de bala jogado na rua não causa apenas uma sujeira física. É um ato de desrespeito pessoal, uma maneira de dizer “estou pouco me lixando para todos”.

    As pessoas são rápidas para cobrar do poder público que mantenham as ruas varridas e os córregos limpos, mas são lentas em assumir as próprias responsabilidades para o bem estar coletivo. Descartam todo tipo de tralha e entopem os ribeirões e córregos. Criticar governantes é o esporte preferido do povo brasileiro.

    Meu amigo foi fazer palestra no Japão e notou que não viu nenhum papelzinho jogado na rua; também não tinha lixo para o descarte, as pessoas abriam a bala ou o chiclete e guardavam o papel no bolso para jogar no lixo caseiro. Cultura milenar, respeito entranhado na cultura do povo.

    A cobrança pela responsabilidade pessoal é terrível porque a voz da consciência não se cala, ficamos expostos todo o tempo à cobrança por melhores ações. No começo é difícil, mas a gente se acostuma a caprichar, porque a questão é essa mesmo: viver no capricho, sendo a melhor pessoa que a gente pode ser.

     



    Escrito por Guca Domenico às 10h21
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    Filô

    TODO ANO É NOVO

    A gente se acende de esperança nessa época do ano e até dá para entender, afinal, vivemos o Verão, estação generosa em luz, água e calor - elementos indispensáveis à vida. Claro que às vezes a água vem em excesso e provoca um alagamento aqui, um deslizamento acolá, mas isto está fora de nossa avaliação. Podemos lamentar, chorar, nada mais. A natureza tem suas manias e não convém contrariar.

    Junto com essa alegria da vida, também fazemos planos. Ou melhor, plantamos sonhos e idéias que, quase nunca temos perseverança suficiente para concretizar. E todo ano renovamos as promessas. Mas os planos que fazemos também estão eivados da energia do Verão, propícia ao Amor em todas as suas formas de manifestação.

    Para mim, todo ano é novo e todo dia é único.

    O que tenho tentado fazer de há muito tempo é realizar o sonho sagrado de seu eu mesmo. Ouvir menos as vozes que falam na minha cabeça, dão conselhos, opiniões, palpites e bolas-fora. Jamais me arrependi de ter "ouvido" minha intuição (que pode e deve ser desenvolvida com exercícios espirituais) e muito me arrependi de ter ouvido a última tendência, o mais novo guru do momento, as maiores groselhas da paróquia.

    Em 2012, tentarei ser o mais Guca Domenico possível.



    Escrito por Guca Domenico às 16h13
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    Microcontos (5)

    POR ENQUANTO

     

    Vera e Reginaldo se conheceram no bar. Ela, garçonete, ele cliente preferencial. Atração fatal, casaram-se em 6 meses. No começo, o casamento funcionou, mas Regis (apelido carinhoso dado por Vé - escolhido por ele) passou a exigir que ela continuasse a servi-lo. Ele não arredava pé, ela reclamava que nem gorjeta estava ganhando para isso.

    A última notícia que se tem do casal é que continuam brigando pelo  mesmo motivo, mas não cogitam a separação - ao menos por enquanto.



    Escrito por Guca Domenico às 14h17
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    Microcontos (4)

    O ATIVISTA PERENE


    Romualdo nunca soube o que fazer da vida, não se encaixava em nenhuma ocupação.

    Um dia, foi a uma manifestação contra alguma coisa, estava livre mesmo. No meio da multidão encontrou uma moça junto com seu coração. Romualdo foi levado por ela até um homem de barba comprida, o organizador da passeata. "Se quiser trabalhar com a gente, vá amanhã nesse endereço, no final da tarde" - e o homem lhe entregou um papel.

    Dia seguinte, Romualdo foi encontrar o homem que trabalhava num escritório escuro e empoeirado, mas o telefone tocava a todo momento. Romualdo temeu que o trabalho oferecido fosse de telemarketing, aí não aceitaria por odiava atender telefone. Por sorte, o trabalho seria na rua. Mesmo.

    Serviço é que não falta. Romualdo é profissional do protesto. Desconfia que o homem de barba ganha mais do que ele, e isso nem é tão absurdo porque se dedica há mais tempo. A moça quer casar com ele.



    Escrito por Guca Domenico às 08h45
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    Microcontos (3)

    AS UVAS DE VIDRO


    Suas videiras eram impecavelmente organizadas e cuidadas, mas nunca produziram sequer um bago. Desalentado, comprou milhares de cachos de uva de vidro que serviam como enfeite de mesa de um vendedor itinerante. A partir de então, os viajantes que passavam ladeando as videiras que ficavam na beira de uma rodovia movimentadíssima, olhavam admirados e desejavam avançar em alguns cachos. As crianças, no banco de trás, choravam de vontade de comer aquelas uvas. Devem ser dulcíssimas, imaginavam.



    Escrito por Guca Domenico às 14h22
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    Microcontos (2)

    APARADOR

     

    Foi contratado pela prefeitura para aparar prédios. O prefeito progressista disse para deixar todos com 15 metros, esta seria a altura ideal para a cidade. O aparador tinha uma máquina incrível, rápida e eficiente. Chegava ao lado do prédio com o mostrengo, fazia a medição e ligava uma enorme lâmina de aço inoxidável. Em poucos minutos, trabalho feito. O prefeito gostava do serviço, só reclamou quando o aparador de prédios cortou 5 cabeças do pessoal do sétimo andar, todos eleitores fiéis. 5 votos a menos pode fazer falta, assegurou.



    Escrito por Guca Domenico às 11h00
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    Microcontos (1)

    O INVENTOR DE FUNÇÕES


    Elep criou a bola. Achou bonita, redonda. Não sabia fazer uso, mas era muito bonita, achava. Marande, que inventava funções, perguntou a Elep quantas bolas ele conseguiria fabricar por semana. Quantas quiser, Elep respondeu. Marande disse: fabrique 1000 bolas que pago 1 dinheiro cada. Enquanto as bolas não ficavam prontas, pensou. Inventou alguns jogos onde a bola era peça indispensável. As primeiras 1000 bolas foram vendidas em 2 dias. Os dois enriqueceram e cada um tinha seu talento específico. Marande pagava 1 e vendia por 10. Elep não reclamava, ganhou milhões assim.



    Escrito por Guca Domenico às 11h16
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    Filô

    Filosofia Chico Brito

     

    A melhor maneira de acusar sem ser contestado é culpar a sociedade injusta ou o sistema hipócrita.

    É um tipo de acusação que combina com os covardes.

    Quem é a favor da injustiça?

    Aliás, o que é justiça? Como pode uma pessoa desajustada definir justiça. Ela tem uma vaga idéia do que seja, adaptada aos seus valores - que certamente não têm nada de justiça, são espeluncas filosóficas de um quase pensamento.

    Eu não me arvoro a falar em justiça, não sou justo. Não mesmo! Minhas paixões me dominam, não consigo ter discernimento entre o que é certo e o que eu quero que seja certo. Porque sou assim, sei identificar um semelhante. E para o nosso bem, dele e meu, aflijo para que ele não tente se passar por justiceiro social.

    Essa meia-filosofia, totalmente contaminada, produziu teses esdrúxulas que são aceitas como verdade incontestável, como aquela máxima que chamo de Filosofia Chico Brito: "Se o homem nasceu bom/e bom não se conservou/a culpa é da sociedade que o transformou". (Esta letra é de um samba do genial Wilson Baptista).

    Esses são os tais que "a sociedade não entende", pobrezinhos...

    Imaginemos que a sociedade seja obrigada a entender os indivíduos. 6 bilhões atualmente... Fica difícil se a gente não estabelecer algumas normas de comportamento, se não combinarmos algumas leis para dizer o que é certo e o que é errado.

    Partimos do pressuposto de que as leis não serão perfeitas, mas pelo menos se tentará algo positivo.







    Escrito por Guca Domenico às 17h49
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    Filô

    OFICINA LITERÁRIA


    O verbo, em sua forma oral ou escrita, é a manifestação do pensamento e este é o conjunto de idéias que impulsionam e dirigem nossa vida.

    Exteriorizar pensamentos através da palavra promove uma espécie de alívio, como se compartilhássemos um segredo que atormenta.

    A palavra escrita potencializa esse alívio e destrava sentimentos que impedem de sermos melhores do que realmente somos.

    A catarse individual beneficia o corpo coletivo.



    Escrito por Guca Domenico às 09h11
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    Filô

    REVOLUÇÃO E RESOLUÇÃO

     

    O homem sábio não anda em bando, seu caminho é solitário e é por ser único que, paradoxalmente, ele é solidário, enquanto as turbas são movidas pelo sentimento egoísta de se dar bem individualmente usando a força do coletivo.

    As massas nunca se guiam pela razão. Pela emoção, líderes carismáticos e maus conduzem por qualquer mudança a que batizam "revolução".

    Pode-se aceitar as coisas como são, ativamente, como pode-se revolucionar, passivamente. É questão de perspectiva. Um homem pacífico que não concorda com o status quo e aceita, silenciosamente prepara o fermento da mudança e, certamente, será ativo no momento justo. O um na multidão que faz arruaça, participa passivamente da mudança que julga necessária sem entendê-la e no momento seguinte estará insatisfeito. Trocados os donos do poder com sua ajuda,, tudo permanecerá injusto e levará algum tempo até que o incauto perceba que foi inocente útil de espertalhões.

    Esta não é uma opinião, é constatação. A História guarda fartos registros, quem se interessa pode acessar sem custo.

    O grande Mal é a ignorância, os hipócritas são seus beneficiários. Eles redigem belos discursos e justificam falcatruas e matanças - se necessário. São braços do poder, nunca estão no centro, sempre periféricos. Mudando os donos, eles se ajeitam na situação.



    Escrito por Guca Domenico às 10h10
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    Filô

    A CULPA QUE NOS MOVE


     

    Dois séculos de prosopopéia marxista e o resultado:  milhares de subprodutos filosóficos que se transformaram em práticas de ação política, questionáveis sob o ponto de vista ético e moral, porém, justificadas pela alegada boa intenção de quem defende os “interesses do povo” – geralmente seus próprios interesses. Monopolistas do bem.

    O que se chama de injustiça social é o desequilíbrio necessário para o movimento da vida; sendo naturalmente diferentes, não faz o menor sentido colocar todo mundo debaixo de um mesmo sonho materialista.

    Sonho de Zé não é sonho de João.

     

     



    Escrito por Guca Domenico às 20h07
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    POR QUE HOMENS PREFEREM MULHERES MAIS NOVAS?

     

    É da natureza (humana e animal) buscar o exemplar mais bem dotado fisicamente para a procriação e, consequentemente, para manutenção da espécie com herdeiros fortes e sadios.

    Quando o homem procura uma mulher para relação, a opção que norteia sua escolha é a beleza física. Platão ensina que o belo é “esplendor da verdade” e parece que o mundo concorda com o grego.

    Olhando para capas de revistas com estampas de corpos femininos vemos corpos bonitos, mas o bom observador percebe a mão-photoshop do cirurgião que “corrigiu” falhas. É a exposição na vitrine da mulher-produto. Supõe-se que todo homem gosta de mulher com muito peito, traseiro empinado. Onde foi parar a diversidade estética?

    O homem que já procriou, não teria por que buscar as mulheres mais novas, a não ser que esteja interessado em mostrar aos outros homens que ainda é conquistador, apesar da barriga e dos cabelos brancos - ou da ausência deles.

    Suponho que um componente não-físico prevalece: a virgindade psicológica. As mulheres menos jovens têm suas histórias, algumas têm filhos e ex-maridos, enfim, a bagagem da vida. Em geral, para o homem, entrar nesta história é desconfortável, ele precisaria abrir mão de exclusividade que supõe merecer. A mocinha é o livro em branco onde ele escreve a história que imagina. É o bloco de pedra informe que molda ao seu gosto.

    Porque, para falar francamente, mesmo em tempo de remédios e estimulantes, para o homem que viveu e desfrutou desse prazer em seu auge físico, o sexo ganha outra dimensão, e não há como não enxergá-lo pelo viés da espiritualidade – que às mulheres é natural desde sempre.

    (TEXTO REPUBLICADO A PEDIDOS)

     



    Escrito por Guca Domenico às 16h35
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    Poesia em Prosa

    O pêssego é a fruta mais feminina que há, por isso o poeta Mario Quintana certa vez o chamou de... pêssega! Sigamos o poeta.

    A pêssega repousa na fruteira ao lado das maçãs, ameixas e laranjas.

    Nenhuma delas se oferece como a pêssega que exala atração de perfume delícia.

    Enquanto as outras frutas me estimulam apenas pela cor, a pêssega parece uma princesa perfumada a me convidar ao baile. Ela quer dançar de rosto colado, fruta assanhada.

    O aroma da pêssega é, ao mesmo tempo, sua fortuna e miséria. Para não perdê-lo, não a como e fruta não consumida fica triste, perde o viço.

    A pele da pêssega não é tão adolescente quando a da ameixa, por exemplo. Pouco importa. Quando encosto o rosto, bom mesmo é cheirar.

    Há quem diga que o bico da pêssega lembra o seio feminino, mas isso não vem ao caso. É mesmo! A pêssega é um peitinho duro, sem silicone.



    Escrito por Guca Domenico às 09h32
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    Filô

     

    ELO - ELOGIO

     

    Para a vida comum, real, aquela que vivemos sem grandes pretensões e arroubos, precisamos nos valer de uma espécie de engenharia política a fim de construir relações duradouras que permitam nosso próprio desenvolvimento e o de nossos parceiros, sejam eles amigos, familiares ou estranhos.

    Ou arcar com os custos de viver demolindo a tudo e a todos por nossa personalidade estranha.

    Se a alma é o amálgama que nos une para além das aparências, a personalidade tem espinhos que nos afastam uns dos outros.

    A individualidade deve ser a meta: o trabalho solitário e infindo de se conhecer para conhecer os outros – e de posse desse conhecimento, servir altruisticamente, na mais nobre intenção. A personalidade (de persona, ou máscara, no latim) é a anti-essência. A individualidade é generosa e espiritual; a personalidade é materialista e mesquinha.

    Quando eu era dono da “demolidora” vivia às turras com todos, cheio de picuinhas, querendo que o mundo se adequasse às minhas idéias. Ao tomar contato com minha insignificância, fez-se a luz. Notei que minha filosofia genial não era tão genial. Por sorte, só havia demolido paredes, ainda restavam os alicerces e eu podia me reconstruir como pessoa. Mãos à obra!

    Meu engano mestre era confundir questionamento com chateação. Não sou e duvido que algum dia consiga ser conformado com os lugares-comuns, o politicamente correto, o papo igreja-partido-time. Tenho como missão acender, iluminar. Já entendi isso, mas não preciso viver o tempo todo como fiscal do mundo. Tenho direito a pequenos refrescos, me alienar, não dar opinião. Olhar, entender e ficar quieto.

    Tudo o que pode ser criticado também pode ser elogiado. Questão de enfoque. Não estou abrindo mão da minha opinião, respeito a sua. Nesta vida, vim para somar experiência. Não estou juntando coisas. Estou me desvencilhando do supérfluo, quero atingir o merecimento da leveza. 

     



    Escrito por Guca Domenico às 14h39
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    Filô

    ANTIPATIA


    O diabo existe? Claro que sim. Porém, não tem o charme e o poder que lhe atribuem. Em realidade, ele é simplesmente a vitória parcial dos pensamentos desajustados - resultado de idéias ilógicas, dotadas de sedução exótica.

    O diabo encarna algumas desqualidades, como insegurança da filiação divina, incerteza da vitória inexorável do bem, medo do futuro e não aceitação do passado.

    O diabo gosta que acreditem que ele não existe para continuar seu trabalho silencioso de minar o adversário dentro do próprio campo.

    O diabo está na desordem, na desarmonia, no caos, na injustiça, mas, sobretudo, na ignorância - que é seu esplendor.

    Imaginar que seu oposto é o anjo, é falta de capacidade de entendimento. Demonstração de rudimentar compreensão.



    Escrito por Guca Domenico às 13h08
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